quarta-feira, 23 de julho de 2014

Dieta High Fat, Low Carb (Rica Em Gordura, Pobre Em Carboidratos)


Esqueça tudo o que se diz sobre dieta e vamos ao fatos científicos sobre o assunto. Estamos em uma epidemia de obesidade graças a dieta "balanceada" ocidental que indica um pouco de tudo, muitos carboidratos refinados, restrição calórica, exercícios e refeições frequentes. Essa dieta mantém a gangorra da insulina e glicose em atividade, o que é deletério para a saúde e difícil de se manter a longo prazo, já que alguns indivíduos precisarão passar fome uma vida inteira para tentar manter o peso.

O livro Barriga de Trigo, do médico cardiologista William Davis, já dizia: “As dietas de baixo teor de gordura não são benignas. O abundante consumo de grãos integrais, de alto teor de carboidratos, resultado inevitável da redução das calorias das gorduras, deflagra a elevação da taxa de glicose no sangue, a elevação da insulina, o maior acúmulo de gordura visceral, maior partículas de VLDL e de triglicerídeos, tudo isso acabando por gerar maior proporção de partículas pequenas de LDL”.  O médico ainda continua: “Um pão SAUDÁVEL PARA O CORAÇÃO repleto de fibras e gorduras ômega 3 ainda deflagará a elevação do nível de açúcar no sangue, a glicação, o acúmulo de gordura visceral, a formação de partículas pequenas de LDL, a liberação de exorfinas e respostas inflamatórias”. 

A pirâmide alimentar de base recheada de carboidratos refinados e defendida pela maioria foi proposta (pasmem) pelo departamento de agricultura dos Estados Unidos, não me causa surpresa que esse departamento colocou na base da pirâmide (onde existe o maior consumo) os seus produtos comercializados. No mínimo é uma dieta não natural para a espécime humana. Se pesquisarem quais os alimentos utilizados para a engorda dos animais ficarão surpresos em notar que asrações para engordar animais são semelhantes a atual pirâmide alimentar, composta por alimentos com elevadosíndices glicêmicos. A sacarose e o pão possuem o mesmo índice glicêmico, ou seja ambos elevam a glicose do sangue aos mesmos níveis. Outro exemplo, a glicose possui, por definição, índice glicêmico de 100 e um pão de trigo 129, teu corpo não sabe a diferença entre eles (nesse caso impacto maior que a glicose). O mundo se tornou obeso, e não foi por acaso e nem por sedentarismo.

A obesidade era uma raridade a meio século atrás e os carboidratos refinados e o açúcar (e não a gordura saudável) são responsáveis pelo aumento do peso, aumento de partículas oxidadas de colesterol e aumento dos riscos cardiovasculares. O segredo está exatamente nesse ponto, as calorias obtidas pelos carboidratos refinados e açúcares devem ser trocadas por gorduras saudáveis: dieta High Fat, Low Carb.

Mas remover o açúcar e o carboidrato  (trigo/glúten/amido/grãos) da dieta requer programação, pois eles estão na maior parte dos alimentos industrializados. Alimentos industrializados são aqueles que tem rótulo, fuja deles. Todavia, uma vez que tenha eliminado os carboidratos e o açúcar da dieta a flutuação dos níveis de glicose e insulina terminam, a fome diminui, a resistência a insulina melhora. Dietas ricas em gorduras saudáveis (ver a lista abaixo) e pobres em carboidratos possuem melhor desempenho na perda de peso. 

O início pode ser difícil, algumas pessoas sentirão síndrome de abstinência com a retirada dos carboidratos, semelhante a parar de fumar, todavia os sintomas desaparecem com o tempo. 


Umadieta pobre em carboidratos e açúcar e rica em gordura (alimentos de verdade não industrializados) mantém níveis glicêmicos e hormonais (insulina) mais estáveis diminuindo significativamente o apetite, reduzindo o peso e gordura corporal, diminuindo ou mesmo curando a resistência a insulinaem indivíduos com síndrome metabólica.  

Gordura e risco cardiovascular: gordura saudável (azeite oliva, castanhas, manteiga, gordura de carnes) são seguras para o consumo e devem ser a base das calorias ingeridas. Cito dois artigos sobre o assunto: revisão sistemática da BMJ 2001; 322(7289):757-63 mostra que gordura é benéfica a saúde. O estudo daN.Engl J Med 2013; 368:1279-1290 mostrou benefício cardiovascular com o uso de azeite de oliva e castanhas na dieta mediterrânea.

Menu: o que comer e o que não comer?

Essa é a nova pirâmide alimentar proposta, esses alimentos você poderá comer o volume que quiser, coma até se sentir sem fome (não conte calorias, caloria é uma medida para fornalhas não para seres humanos):



Liberado para o consumo: carnes de qualquer tipo (gado, peixes, suínos, aves, crustáceos), atum/sardinha em lata, guisado (de segunda é melhor por ter mais gordura e ser mais saboroso).

Azeite de oliva, manteiga, nata, óleo de abacate, óleo de coco, manteiga de cacau, óleo de linhaça. Não coma margarina, prefira a clássica manteiga.

Ovos e queijos: cheddar, suíço, edam, etc  (gordura saudável não faz mal a saúde).

Legumes e verduras (em conserva ou em natura), qualquer salada de vegetais que cresçam acima da terra, cogumelos, alcachofras, abóboras, alho, pimentão, beringela, cebolas, couve, aspargos, azeitonas, especiarias e cacau.

Castanhas, nozes, pistache, amêndoas e sementes cruas (exceto amendoim, pois é uma leguminosa). As castanhas e outras oleaginosas devem ser consumidas como lanche em momentos de fome, mas não em excesso pois contém carboidratos. 

Temperos: mostarda, raiz forte, tempero verde, maionese feita em casa, vinagres, molho inglês, sal, molhos de pimenta e pimenta de qualquer tipo. 

Amido resistente.

A farinha de linhaça não contém níveis significativos de carboidratos, logo não aumentam a glicose e insulina e, em conseqüência, não aumentam a gordura abdominal. Pode ser usada.

Comer eventualmente: (se o objetivo é redução do peso ou se possui síndrome metabólica ou diabete tipo 1 ou tipo 2 o conselho é não comer): raízes, tubérculos e leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilha, ervilha, amendoim).

Frutas em geral (exceto as frutas vermelhas como morango e amora que possuem pouco açúcar) possuem uma enorme quantidade de açúcar e sabotam a dieta, novamente, frutas devem ser tratadas como sobremesa e não como fonte principal em nenhuma refeição.

Iogurtes desde que sejam naturais, integrais sem adição de açúcar. Chocolate não adoçado (>80% cacau). Cenouras, batatas e aipim (raízes, tubérculos) podem ser consumidas, mas possuem mais carboidratos (logo engordam).

Simplesmente não comer: grãos (em qualquer formato e apresentação) e açúcar (de qualquer tipo - melaço, mel, etc). Os grãos contém amido que é interpretado pelo organismo humano como açúcar, eleva a glicose e insulina do corpo acumulando gordura abdominal.

O trigo é a maior fonte de carboidrato refinado na dieta ocidental atual e deve ser completamente eliminado: nada que contenha trigo como pães, massas, biscoitos doces, bolos, tortas, cupcakes, cereais matinais, panquecas, waffes, pão árabe, cuscuz e centeio deve ser consumido. Não importa o tipo de pão, todos tem trigo e devem ser eliminados da dieta.

Grãos como arroz, milho, soja e grãos em formato de óleo como óleo milho, girassol, óleo de amendoim, soja, etc.  

Amido de qualquer tipo (amido é um polímero de açúcar), tapioca também contém carboidratos não podem ser consumida. Balas, sorvetes picolés, barras de cereais e ketchup (contém xarope de milho que é uma frutose que é igual ao açúcar de mesa), e outros produtos com açúcar deve ser eliminado da dieta. Todos esses alimentos possuem elevado índice glicêmico, logo aumentam insulina, acumulam gordura (principalmente abdominal) além de aumentarem o apetite. Não comer frutas secas, outros cereais (quinoa, sorgo, painço, aveia).

Bebidas: um copo de suco não adoçado já possui excesso de açúcar (frutose é o açúcar das frutas), logo não é saudável pois possui elevado índice glicêmico, logo aumenta insulina, acumula gordura (principalmente abdominal) além de aumentar o apetite. Leite (leite possui lactose que prejudica a dieta, já que é um açúcar, aconselho substituir por nata). Cerveja é rica em carboidratos e deve ser evitada.

Refrigerantes ZERO não sei dizer se são saudáveis, mas pelo menos não aumentam o peso. Água, chás e cafés não adoçados estão liberados. Entre as bebidas alcoólicas o vinho parece ser o mais saudável. Alguns destilados também não possuem carboidratos, mas desaceleram a perda de peso (confira o rótulo).

A perda de peso com dieta High Fat, Low Carb geralmente é acentuada e rápida. A dieta paleolítica (paleo) é exemplo de dieta High Fat, Low Carb, existem variantes da mesma. Uma dieta High Fat, Low Carb possui a enorme vantagem de ser fácil de manter a longo prazo. Não há necessidade de contar calorias(aqui se contam os carboidratos) e, após atingido o peso desejado, é possível retornar o consumo de raízes/tubérculos (cenouras, mandioca, inhame) dependendo do metabolismo de cada um.

Fonte: http://renatocassol.com/high-fat-low-carb/

Renato Cassol - Médico Infectologista

Porto Alegre - RS




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Germes Carbapeném Resistentes Hospitalares


Em qualquer grande hospital do mundo, a resistência bacteriana é um problema. Hoje, os complexos mecanismos de resistência desses germes são uma preocupação global, e surtos são presenciados em todos os continentes. A complexidade e a gravidade dos pacientes são preponderantes para que se crie o cenário propício para a seleção de germes multirresistentes. Essa problemática tem sido enfrentada nos hospitais de diferentes formas pelos serviços de controle de infecção hospitalares nos últimos anos. Passa pelo reforço nas orientações quanto à higienização de mãos e à higienização adequada do ambiente, pela adesão às medidas de bloqueio epidemiológico e pelo correto uso de antimicrobianos.

A 
Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) e New Delhi metallo-B-lactamase-1 (NDM-1) não são um agente bacteriano e sim mais um mecanismo de resistência, que pode estar presente em diferentes tipos de bactérias Gram-negativas comoKlebisella pneumoniae, Escherichia coli, Serratia marcescens, Proteus mirabilis, entre outras.

Dentre todas as medidas para conter surtos de bactérias resistentes a higienização das mãos é a mais importante.

Fonte:
Renato Cassol - Médico Infectologista


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Osteomielite crônica

O osso é bastante resistente às infecções, todavia esse mesmo osso quando infectado transforma-se em um desafio para cura. O trauma, a bacteremia, a cirurgia, e corpos estranhos quebram a barreira que mantém a integridade óssea o que propicia a osteomielite.
O conceito de osteomielite crônica envolve infecção diagnosticada em um hospedeiro por meses ou mesmo anos, caracterizada pela presença persistente de micro-organismos, inflamação, presença de seqüestro ósseo, necrose óssea (ausência de osteócitos vivos) fístula e perda de vascularização local. A recorrência de infecção em um mesmo sítio ósseo é sinal importante de osteomielite crônica.
Diagnóstico e procura do agente etiológico
Alguns sinais de osteomielite crônica incluem deformidade, instabilidade e sinais locais de dano da vasculatura óssea. Todavia, o diagnóstico dessa patologia é estruturado basicamente pelos achados clínicos, exames de imagem e com o suporte indireto de exames complementares como o VSG (velocidade de hemossedimentação) e a proteína C reativa. Os exames laboratoriais são inespecíficos e devem ser correlacionados com a história clínica, exame físico, epidemiologia do paciente e outros exames complementares.
O raio x convencional é importante tanto no momento do diagnóstico quanto no acompanhamento do tratamento. Pode mostrar edema de tecidos moles, redução ou aumento do espaço articular, destruição óssea e alterações do periósteo. A destruição óssea é uma achado tardio, levando geralmente entre 10 e 21 dias para ser detectado após o inicio da infecção. Tanto a ressonância nuclear magnética quanto a tomografia computadorizada mostram com excelente resolução as alterações ósseas características, mesmo quando o raio x convencional ainda está normal.
Em termos de imagem nuclear para diagnóstico a cintilografia trifásica com TC-99m é o exame de escolha devido a sua sensibilidade. Uma quarta fase, realizada 24 horas após a injeção do agente radioativo, pode ser realizada para aumentar a especificidade. O tecnécio 99m fixa-se em áreas com aumento da vascularização e formação óssea. A cintilografia trifásica com TC-99m apresenta quase nenhuma morbidade, sensibilidade de 69% a 100% e especificidade de 38% a 96%. O exame apresenta achados nas três fases na osteomielite quando comparada com artrite séptica e celulite que apresentam a terceira fase normal. A captação do contraste sugere osteomielite, todavia zonas sem captação (frias) apresenta valor preditivo positivo maior para a doença. 
Outros radiocontrastes são usados no diagnóstico de osteomielite, o principal é o Galium-67 que apresenta maior especificidade que o TC-99m, porém a exposição à radiação é maior. A cintilografia com leucócitos marcados com Indium-111 apresenta a sensibilidade de 88% e especificidade de 85% e não distingue osteomielite de infecções de tecidos moles. Exames falso-positivos podem ocorrer quando há trauma, artropatia diabética, gota e cirurgia prévia. Nessas circunstâncias, a especificidade encontra-se muito prejudicada. A ressonância nuclear magnética possui alta sensibilidade e especificidade e tornou-se a imagem padrão-ouro para o diagnóstico da doença. 
Biópsia Óssea – o padrão-ouro
O passo mais importante para o manejo da osteomielite crônica é a identificação do agente etiológico agressor (micro-organismo infectante). Para tanto, a biópsia do osso envolvido através de tecidos não infectados (pele íntegra) é o padrão-ouro para o isolamento do(s) germe(s). Amostra cirúrgica ou biópsia por agulha fina do tecido infectado fornece essa indispensável informação. A técnica da biópsia é crucial na acurácia para identificação do microrganismo. Antibióticos diminuem a sensinbilidade da biópsia óssea, sendo assim, o exame deve ser realizado antes de iniciar a antibioticoterapia ou após a suspensão dos antimicrobianos por alguns dias.
Uma vez realizada a biópsia, o material coletado dever ser levado para cultura de germes aeróbicos e anaeróbicos. Micobactérias e fungos também devem ser pesquisados pela cultura e exame direto. Para aumentar a sensibilidade do exame, idealmente cinco locais devem ser biopsiados na região suspeita. Tecido para congelamento também apresenta importante valor diagnóstico de osteomielite crônica, o achado de mais de cinco neutrófilos por campo de grande aumento indica infecção com sensibilidade de 43 a 87% e especificidade de 93 a 97%. A visualização de lesões granulomatosas com achado positivo para o método de Ziehl-Neelsen leva ao diagnóstico de infecção por micobacteriose, todavia a cultura continua sendo necessária para identificar o germe específico e seu perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos. Preconizo solicitar para o material provindo da biópsia óssea o Gram, cultura, pesquisa de fungos e cultural, BAAR e cultura para micobacteriose, o frasco com o material deve conter água destilada. Em outro frasco, o espécime biopsiado do osso deve permanecer em formol e enviado à patologia. Pelo menos cinco fragmentos ósseos devem ser colhidos.
Os microrganismos isolados através de swab do óstio frequentemente são germes não responsáveis pela infecção dos ossos e tecidos mais profundos, esse procedimento deve ser fortemente desestimulado. O swab de óstio de fístulas comumente detectam germes colonizantes e não infectantes.
Hemoculturas fazem parte da avaliação inicial da osteomielite, apesar de seu baixo índice de positividade (menos de 50%). Idealmente o paciente não poderia estar usando antibióticos ou deveria suspender os mesmos 48 horas antes do momento da coleta. Esse mesmo preceito deve ser perseguido no momento de realizar a biópsia óssea.
Tratamento
O tratamento da osteomielite crônica inclui o uso de antimicrobianos, desbridamento com o manejo do espaço morto resultante e, se necessário, estabilização do osso por meio de fixadores externos. O antibiótico(s) escolhido deve ser administrado pela via parenteral após o resultado da coleta dos culturais e, quando empírico, deve obter cobertura para os agentes mais prováveis definidos pela história individualizada e perfil de sensibilidade local. 
Os antimicrobianos devem ser administrados nunca menos que quatro a seis semanas para atingir níveis aceitáveis de cura, sendo que as primeiras duas a quatro semanas pela via parenteral. Todavia, a suspensão dos antibióticos específicos deve passar pela avaliação clínica e laboratorial do paciente, por exemplo, o acompanhamento seriado do VSG e proteína C reativa. O tratamento da osteomielite é sempre individualizado, levando em consideração o germe infectante, local em que a doença se apresenta e hospedeiro. O uso empírico de antimicrobianos (sem realização de exame cultural) não esta indicado na osteomielite crônica já que o tratamento é longo, dispendioso e tóxico.
A cirurgia na osteomielite crônica consiste na remoção do sequestro ósseo e ressecção de todo o osso infectado e tecidos desvitalizados. A remoção de grandes quantidades de tecidos pode levar a instabilidade óssea e grande espaço morto.  Esse manejo requer especialistas.
As infecções crônicas associadas à prótese tem como regra geral a retirada ou substituição da prótese. Apenas infecções agudas de próteses podem ser tratadas de forma conservadora,  sem a retirada da mesma. A prótese quando retirada, assim como os demais materiais obtidos no transoperatório, devem ser levados -em ambiente estéril- para o laboratório e solicitado os exames bacteriológicos após a realização da sonificação. A reconstrução dos tecidos, as decisões de uso dos antimicrobianos, tempo de tratamento e os desbridamentos necessitam de uma equipe multidisciplinar.


Renato Cassol - Médico Infectologista
Porto Alegre - RS


Referências Bibliográficas
Scot
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Burke A. Cunha. Osteomyelitis in Elderly Patients. Aging and infectious diseases. 2002; 35: 287-93. 
Luca Lazzarini, Jon T. Mader, and Jason H. Calhoun. Osteomyelitis in long bones. The journal of bone & joint surgery. 2004; 86-a: 2305-18. 
Daniel P Lew, Francis A Waldvogel. Osteomyelitis. Lancet. 2004; 364: 369–79 
Daniel P. Lew,and Francis A. Waldvogel. Osteomyelitis. .N Eng J Med. 1997; 336: 999-1007. 
Peter J.Carek, Lori M.Dickerson, and Jonathan L.Sack. Diagnosis and management of osteomyelitis. American Family Physician. 2001; 63: 2413-20. 
Mandell GL, et al. Principles and Practice of Infectious Diseases, 7th edition. Churchill Livingstone, 20010. 
Veronesi et al. Tratado de infectologia, 2a edição. Atheneu, 2002. 
Gottlieb T, Atkins BL, Shaw DR. Soft tissue, bone and joint infections. Med J Aust . 2002;176:609

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Herpes Simplex Labial ou gengivoestomatite herpética


Herpes Simplex Labial ou gengivoestomatite herpética
A principal forma de expressão do vírus herpes simplex (HSV-1) é a gengivoestomatite herpética. O herpes labial é caracterizado por surgimento de úlceras orais ou labiais dolorosas e recorrentes de tamanho aproximado de 2 a 8mm em 80% dos casos. Geralmente as lesões cicatrizam em até 14 dias, quando não tratadas. A infecção oral pelo herpes simplex tipo 2 também pode ocorrer. A primeira infecção pelo vírus costuma ser a mais exuberante e, após o paciente infectado, não é mais possível atingir a cura, apenas tratamento. Existe ainda a possibilidade do HSV fazer úlceras maiores (>1 cm), mas isso é mais raro, são mais dolorosas e mais duradouras (várias semanas) e geralmente no dorso da língua e pálato duro (periadenite necrótica recorrente). 
Herpes Simplex Genital
O vírus genital do herpes simplex (HSV-2) é uma das doenças sexualmente transmissíveis (DST) mais comuns no mundo. A transmissão desses vírus (HSV-1 & HSV-2) não é exclusiva pela via sexual, podendo ocorrer também durante o parto vaginal. O herpes genital é uma DST crônica, não apresenta cura, apenas tratamento. Ambos os vírus da herpes (HSV-1 & HSV-2) podem causar a doença e permanecem latentes nos feixes nervosos sacrais. Uma vez atingida a fase latente o vírus fica albergado nos feixes nervosos e nem a resposta imune do hospedeiro ou os agentes antivirais são capazes de erradica-lo.
O tratamento com antivirais sistêmicos resulta em significante melhora dos sintomas da doença e, apesar do aciclovir ser o agente mais utilizado na última década, outros novos e potentes antivirais estão disponíveis no mercado, na maioria, com posologia mais conveniente. 
Primeiro episódio de herpes genital
O primeiro episódio ocorre após o contágio com o vírus, em média, o tempo de incubação é de 7 dias (podendo variar de 1 a 26 dias após o contágio). A doença pode ser assintomática  tanto no primeiro episódio quanto na herpes genital recorrente. Para aqueles pacientes que possuem sintomas o primeiro episódio de herpes genital costuma ser mais exuberante. O tratamento, quando necessário, também é diferenciado.
Herpes genital recorrente
O herpes genital recorrente é aquele que ocorre por reativação do vírus incubado, pode ser assintomático ou sintomático. Naqueles sintomáticos as lesões bastantes dolorosas -tipo pequenas "bolhas"- acometem a região genital. Nessa revista médica CID 1999;28 (Suppl 1) Genital Herpes Therapies diversas terapias, tanto para previnir o herpes quanto para o tratamento, foram testadas. Segundo a publicação, na terapia supressora do herpes genital a dosagem recomendada de famciclovir é maior que aquela usada para o tratamento dos episódios recorrentes.
Herpes genital e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)
As úlceras genitais sintomáticas decorrentes da infecção pelo herpes genital causam inflamação local, rompimento da integridade da mucosa e provavelmente o aumento seletivo de linfócitos TCD4+, fazendo com que essas lesões sejam portas facilitadoras de entrada do vírus do HIV/Aids assim como outras DST.
Referências:
# CDC - Centers for Disease Control and Prevention
# Herpes Genital DST - J bras Doenças Sex Transm 2010; 22(2): 64-72
# Wald A, Link K. Risk of human immunodeficiency virus infection in herpes simplex virus type 2-seropositive persons: a meta-analysis. J Infect  Dis 2002; 185:45-52. 
# Celum C, Levine R, Weaver M, Wald A. Genital herpes and human immunodeficiency virus: double trouble. Bull World Health Organ 2004; 82:447-53.
# Crispian Scully. N Engl J Med 355;2 www.nejm.org july 13, 2006
Fotos:

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dr Renato Cassol


Médico Infectologista 
O médico infectologista se dedica a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas e parasitárias. Entre as doenças mais comuns do atendimento desta especialidade está o HIV/Aids, DST (doenças sexualmente transmissíveis ou doenças venéreas), infecções virais, fúngicas e bacterianas (como pneumonias, infecções de pele, osteomielites, influenza, entre outras).
 Dr Renato Cassol possui graduação em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1997-2002), residência médica em Doenças Infecciosas e Parasitárias no HNSC (2004-2006), curso credenciado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), órgão sediado no MEC - www.ghc.com.br. MBA Gestão em Saúde e Controle de Infecção pela FAMESP em 2011 e 2012 - www.ccih.med.br.
 Atualmente é coordenador do controle de infecção hospitalar do Hospital Nossa Senhora da Conceição e médico infectologista na Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. Tem experiência na área de medicina com ênfase em infectologia, atuando principalmente nos seguintes temas: controle de infecção hospitalar, infectologia clínica, HIV, terapia intensiva, antimicrobianos, infecções bacterianas e fúngicas e resistência bacteriana.


Convívio entre crianças e animais de estimação é benéfico, mas deve ser moderado


Cuidados devem ser observados para que relação com pets seja positiva 


Ter um animal de estimação em casa pode contribuir para o desenvolvimento emocional e social das crianças. No entanto, esse convívio somente torna-se benéfico somente à medida que os pequenos crescem. No caso de bebês, por exemplo, a aproximação direta não é recomendada.
- Crianças muito pequenas podem não saber diferenciar um brinquedo de um animal de "verdade". Elas podem apertar, pisar e bater no bichinho, causando machucados, ou até levá-lo a uma reação agressiva. Portanto, é fundamental a presença de um adulto para supervisionar as brincadeiras - afirma a presidente do Comitê de Pediatria Ambulatorial e Aleitamento Materno da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul, Roseli Kripka.
Segundo a pediatra, é adequado restringir a circulação do animal a alguns locais da casa, assim como não permitir que eles subam em sofás e durmam na cama com as crianças. Também é fundamental manter a vacinação e desverminação do pet em dia, pois as crianças tendem a levar a mão à boca, o que pode levá-las a contrair doenças transmitidas pelos bichinhos.
Roseli Kripka alerta que, antes de escolher o animal de estimação, os pais devem conversar com um veterinário. A medida é importante para adequá-lo ao espaço físico e modo de vida da família.

Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul

A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul foi fundada em 25 de junho de 1936 com o nome de Sociedade de Pediatria e Puericultura do Rio Grande do Sul pelo Prof. Raul Moreira e um grupo de médicos precursores da formação pediátrica no Estado. A entidade cresceu e se desenvolveu com o espírito de seus idealizadores, que, preocupados com os avanços da área médica e da própria especialidade, uniram esforços na construção de uma entidade que congregasse os colegas que a cada ano se multiplicavam no atendimento específico da população infantil. Atualmente conta com cerca de 1.750 sócios, e se constitui em orgulho para a classe médica brasileira e, em especial, para a família pediátrica. 

Fonte: SIS Saúde 

Atividade física e infertilidade


A exposição midiática retumbante de competições onde a força física e pesados exercícios são requeridos suscita questões sobre eventuais prejuízos que homens jovens poderão exibir quando tiverem interesse em gerar seus filhos. Na vigência de tais eventos, como Olimpíadas, respondemos a dezenas de questões, onde há questionamento de familiares sobre a prática de exercícios mais competitivos do que pró-lazer, desde a mais terna idade.
Escassos são os dados na literatura moderna, demonstrando taxativamente os efeitos deletérios do exercício sobre a reprodução masculina. É tácito, entretanto, que homens não obesos e exercitando-se regularmente são menos candidatos à infertilidade. O exercício físico regular e que acompanha adequadamente a faixa etária promove saúde, bem-estar, diminui angústia, induz o sono restaurador. Entretanto, há suficiente evidência de que o abandono do exercício de alto impacto promove melhora na espermatogênese, facilitando a gravidez.
Há controvérsia e carência de dados específicos sobre os limites a partir dos quais iniciam as alterações físicas que repercutirão na obtenção de espermatozóides saudáveis o suficiente para o sucesso na obtenção da gravidez espontânea. As variações no ser humano são tamanhas que o impacto em alguns é ínfimo e, em outros, altamente comprometedor.
Uma clássica referência é do homem que pratica ciclismo cerca de 300 quilômetros por semana. Inquestionavelmente, exibe significativa diminuição da fertilidade consecutiva ao aumento das formas anormais espermáticas. Da mesma maneira, a forma dos espermatozóides de um grupo de triatletas era mais comprometida do que a de praticantes de pólo aquático.
O comprometimento da fertilidade masculina relaciona-se com a intensidade do exercício (de moderado a alto), o período de tempo em que a pessoa é praticante e a faixa etária desse indivíduo. Além do mais, exacerba-se o quadro quando há disputa competitiva com exaustão, com estresse. Já o exercício recreacional é menos nocivo.
Na maioria das circunstâncias, os danos produzidos pelo exercício contumaz de alta intensidade são reversíveis. O exercício moderado é saudável e conveniente para o ser humano. Mas convém lembrar que, quanto maior a intensidade da prática desportiva, quanto mais jovem tenha iniciado e mantido por longos anos, mais difícil o sucesso na gravidez espontânea.

Dr. Claudio Telöken é médico urologista do Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva 


Fonte: SIS Saúde 

domingo, 25 de setembro de 2011

Cuide bem de seu intestino

O órgão responsável pela absorção de nutrientes e produção de anticorpos merece o seu cuidado


O estresse, o sedentarismo e a alimentação rápida fazem parte do estilo de vida moderno. No entanto, essa tríade pode ser uma grande inimiga do nosso corpo, principalmente do nosso intestino. Este órgão tem diversas funções vitais para o organismo, entre elas a de digerir e absorver os nutrientes dos alimentos. Além disso, uma alimentação pobre em líquidos, fibras e repleta de alimentos processados afeta a produção de anticorpos – nossas barreiras naturais contra doenças. Leia abaixo a entrevista com o gastrocirurgião Élinton Adami Chaim, do Hospital das Clínicas da Unicamp, que dá dicas simples de como manter a saúde do intestino.


Terra: Por que devemos nos preocupar com nossa saúde intestinal?

Élinton Chaim: Porque o trato intestinal é responsável por diversas das funções vitais do corpo humano. O intestino é encarregado da absorção de elementos que nos mantém nutridos, além de ser um sistema endócrino muito importante para nossa sobrevivência.

Terra: A alimentação é importante para a saúde do intestino?

Elinton Chaim: É a partir de uma alimentação saudável que se cuida melhor desse órgão. Recomendo uma dieta balanceada rica em frutas, legumes e verduras, além de associar a alimentação com atividade física diária.

Terra: Que outras atitudes podem ajudar a saúde do intestino?

Elinton Chaim: O principal é evitar os excessos alimentares, as bebidas alcoólicas, a automedicação, as drogas e o tabagismo.

Terra: O índice de obesidade na população brasileira é elevado. Como as pessoas devem proceder para tentar reverter esse quadro?

Elinton Chaim: No Brasil, 30% das pessoas estão com sobrepeso ou são obesas e 3% são obesos mórbidos. O melhor a se fazer é mudar os hábitos de vida. Para o país, de uma forma geral, o ideal seria implementar programas educacionais nas escolas e nas áreas de trabalho.

Terra: Manter o peso é essencial para a saúde? Por que?

Elinton Chaim: A obesidade pode acarretar várias co-morbidades [ou seja, a pessoa sofre de outras doenças] como a síndrome metabólica, a hipertensão arterial, o diabetes, doenças osteoarticulares, neurológicas, psicológicas e outras. Portanto, manter o peso ideal é fundamental para a saúde.

Terra: Quais são as doenças mais freqüentes do intestino e que podem ser evitadas com medidas simples?

Elinton Chaim: As mais comuns são as doenças inflamatórias como a retocolite ulcerativa, a doença de Crohn – uma doença crônica inflamatória intestinal-, assim como as doenças neoplásicas [tumores] benignas e malignas. Algumas doenças são autoimunes [quando nossos anticorpos atacam nosso próprio corpo], mas outras podem ser prevenidas com exames de rotina, dieta balanceada e estilo de vida saudável.

Fonte: Carolina Ritter

Anvisa muda regras para alimentação infantil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) modificou as normas que tratam da alimentação para crianças de até três anos.

As regras alteradas dizem respeito à produção e comercialização de alimentos infantis, em pó ou na forma líquida, feitos à base de leite de vaca e outros animais ou com soja.

As alterações a serem feitas serão na composição nutricional dos produtos, como por exemplo, determinadas vitaminas que terão limite máximo e mínimo.

Desde a última alteração nas normas, feita em 1998, vê-se que há variações sutis na proporção de gordura, proteína e vitamina A nas fórmulas.

Com o objetivo de aproveitar a atualização recente de diretrizes internacionais da nutrição infantil, a Anvisa decidiu criar regras detalhadas para as fórmulas feitas para crianças com necessidades nutricionais específicas.

O prazo para que as empresas se adequem é de 18 meses e os novos produtos já devem atender ao que determinam as portarias publicadas no Diário Oficial da União.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde, as normas estabelecidas pela Anvisa são adotadas pelo Departamento de Vigilância Sanitária de Uberaba e, portanto, as novas regras servem também para o município. Por a mudança ser recente, a assessoria alega que ainda não tem maior detalhamento de como será fiscalizada essa modificação. (MS)



Fonte: http://carolinaritterribeiro.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Ministério destina mais de R$85 milhões para qualificação de profissionais

Recursos financeiros são destinados ao atendimento das demandas e prioridades na formação e qualificação da força de trabalho da rede pública, estabelecidas no Pacto pela Saúde

Na última quinta-feira, (15), o Ministério da Saúde destinou novos recurso para as ações de qualificação de profissionais que atuam em todos os níveis de atenção no Sistema Único de Saúde (SUS). Até o final deste ano, o governo federal investirá mais R$ 85 milhões na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, conforme estabelece a Portaria 2.200 , publicada no Diário Oficial da União

Os recursos financeiros são destinados ao atendimento das demandas e prioridades na formação e qualificação da força de trabalho da rede pública, estabelecidas no Pacto pela Saúde – um conjunto de reformas institucionais pactuado entre os três entes que administram e financiam o SUS (União, Estados e Municípios). Eles deverão ser aplicados em ações estabelecidas nos Planos Estaduais de Educação Permanente em Saúde, definidos conjuntamente pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.

A medida está voltada para a formação de profissionais de saúde por meio de escolas técnicas e centros de formação do SUS. Os recursos financeiros vão apoiar o desenvolvimento de cursos de graduação e pós-graduação (stricto e latu sensu) em áreas estratégicas para o SUS, com ênfase nas Redes Temáticas de Atenção à Saúde; entre elas, as redes Cegonha, de Atenção às Urgências e de Atenção Psicossocial; a rede de cuidados aos usuários de álcool, crack e outras drogas e o programa de prevenção e qualificação do diagnóstico e tratamento do câncer de colo de útero e da mama.

Os programas de formação e qualificação profissional deverão ser definidos a partir do diagnóstico epidemiológico dos estados, de forma coerente com os programas prioritários do Ministério da Saúde na área de gestão do trabalho e da educação na saúde, como o Profaps (Programa de Formação de Profissionais de Nível Médio para a Saúde), o Pró-Saúde, o PET-Saúde (Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde), o Telessaúde (também conhecido como “segunda opinião médica a distância”), o Pró-Residências (Médicas), UNA-SUS (Universidade Aberta do SUS) e o Progesus (Programa de qualificação e estruturação da gestão do trabalho e da educação no SUS).

Prioridades

As ações deverão, ainda, priorizar práticas profissionais e conteúdos relativos às políticas estruturantes do Sistema Único de Saúde. Na educação profissional técnica, os programas de qualificação profissional estarão voltados ao aperfeiçoamento, capacitação e especializações dos trabalhadores de nível fundamental e médio, principalmente nas especialidades de radiologia, citopatologia e hemoterapia, como também em Saúde Bucal, Vigilância em Saúde, Enfermagem e Saúde do Idoso e manutenção de equipamentos. Os recursos financeiros do governo federal apoiarão, ainda, a formação e capacitação de equipes que atuam na Estratégia Saúde da Família; especialmente, agentes comunitários de saúde e agentes de combate as endemias.


Fonte: SIS Saúde

Comissão aprova redução de Cofins para atenção domiciliar à saúde

O texto aprovado pelo colegiado estende o benefício às empresas operadoras de atendimento domiciliar eletivo e de urgência

A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou, na última quarta-feira (14), proposta que reduz a alíquota da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) para o serviço de atenção domiciliar à saúde. A medida está prevista no Projeto de Lei 90/11, do deputado Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG).

O texto aprovado pelo colegiado estende o benefício às empresas operadoras de atendimento domiciliar eletivo e de urgência. A mudança foi proposta pelo relator, Darcísio Perondi (PMDB-RS). Segundo a assessoria do deputado, o dispositivo objetiva não deixar dúvidas de que não apenas os prestadores de serviço, mas também as empresas do setor terão acesso ao benefício.

Alíquotas

Hoje, a alíquota para a empresa de saúde que atende em casa é de 7,6%. A proposta visa garantir a esse serviço a mesma alíquota dos demais serviços de saúde, que é de 3% sobre o faturamento bruto mensal da empresa.

A alíquota de 3% já é aplicada aos serviços prestados por hospitais, prontos-socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia, de fonoaudiologia e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas.

Perondi argumenta que a proposta apenas garante isonomia entre as empresas prestadoras de atendimento domiciliar e os hospitais. "As atividades dessas empresas assemelham-se àquelas dos hospitais, já que elas criam verdadeiras unidades hospitalares e de terapia intensiva dentro da residência dos pacientes", explicou.

Tramitação

O PL 90/11 ainda passará por análise conclusiva das comissões de Finanças e Tributação (inclusive quanto ao mérito); e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Íntegra da proposta:

* PL-90/2011


Fonte: SIS Saúde

Musculação vira remédio para idoso combater doenças

Pacientes com osteoporose e artrose, antes orientados pelo médicos a praticar exercícios leves, agora são estimulados a malhar na academia

Exercícios físicos se tornaram tão importantes quanto os remédios no tratamento de doenças como osteoporose, osteoartrose e artrite reumatoide. Não à toa, estima-se que a frequência de pessoas com mais de 60 anos nas academias de ginástica tenha aumentado cerca de seis vezes nos últimos dez anos.

De olho nesse filão, muitos estabelecimentos têm feito parcerias com consultórios médicos e oferecido descontos e atividades específicas para os idosos por eles encaminhados. Surgiram até academias especializadas nesse público, com equipe médica própria e instalações adaptadas a quem tem mobilidade reduzida (mais informações nesta página).

O boom teve início após a comprovação, no início da década passada, de que exercícios com sobrecarga são capazes de impedir o avanço da osteoporose, conta Kleber Pereira, presidente da Associação Brasileira de Academias (Acad). "Os médicos passaram a recomendar a musculação para os idosos, que hoje representam quase 30% de nossos alunos."

Estudos recentes têm demonstrado os benefícios da musculação para outro problema que atinge quase 60% das pessoas com mais de 60 anos: a osteoartrose. Caracterizada pelo desgaste das articulações, a doença causa dor e restringe os movimentos.

Mitos. "Até pouco tempo atrás, pacientes com artrose recebiam a recomendação de praticar apenas atividades leves e evitar carregar peso ou subir escadas", conta Julia Greve, coordenadora do Laboratório de Estudos do Movimento (LEM) da Faculdade de Medicina da USP.

Mas hoje já se sabe que o fortalecimento da musculatura reduz a sobrecarga na articulação, diminui a dor e recupera a amplitude dos movimentos.

Outro mito que vem sendo derrubado por uma pesquisa realizada no LEM é o de que idosos não respondem tão bem aos exercícios quanto pessoas jovens.

A equipe coordenada por Julia acompanhou três grupos de mulheres ao longo de 13 semanas de musculação. O primeiro era composto por idosas com osteoartrose nos dois joelhos que já haviam se submetido a cirurgia para colocação de prótese em um deles. O segundo era de idosas sem problemas articulares e o terceiro, jovens saudáveis.

Quatro quesitos foram avaliados antes e depois das 13 semanas: a distância caminhada durante 6 minutos, a velocidade com que subiam um lance de escada, o tempo gasto para levantar e sentar em uma cadeira e o tempo para levantar da posição deitada. Em todos eles, o grupo de mulheres com problemas articulares foi o que mais evoluiu. Também esse grupo foi o que mais conseguiu aumentar a sobrecarga durante o período avaliado e melhorar o equilíbrio.

A história do aposentado Antonio Carlos Amabile, de 72 anos, é prova de que, independentemente da idade e da condição inicial, sempre é possível melhorar com a prática de atividade física. Em 1999, ele teve de passar por uma cirurgia para retirar a cabeça do fêmur por causa de um abcesso. "Os médicos acharam melhor não colocar prótese por causa da diabete. Ficaram com medo de rejeição", conta. Após dois anos de fisioterapia, ele teve o aval da equipe para praticar musculação.

"No começo, chegava à academia de andador e tinha de fazer os exercícios sem peso. Aos poucos fui recuperando tudo. Hoje subo e desço escadas com facilidade. Sou independente, embora ainda tenha de usar bengala."

Amabile sente-se em casa no meio dos marombeiros e das garotas de coxas grossas. É tão popular entre os colegas que acabou se tornando garoto propaganda da rede de academias Nível A. "A parte social é importantíssima. Deixa a gente estimulado. Sinto falta quando não venho."

Kokichi Takano, de 76 anos, é outro que já incorporou a malhação na rotina. Quatro vezes por semana, ele dedica duas horas para exercício de musculação, alongamento e esteira. Aos fins de semana, vai ao Parque do Ibirapuera caminhar. "Comecei a treinar com regularidade aos 70 anos. Sofria de artrose e tinha muita dor no nervo ciático. Agora não sinto mais nada", garante.

Treino ideal. Fabio Jennings, reumatologista e especialista em medicina esportiva da Universidade Federal de São Paulo, diz que o treino ideal para idosos deve incluir exercícios aeróbicos, para ajudar no controle do peso corporal, fortalecimento muscular e alongamento, para melhorar a flexibilidade. "Também é importante acrescentar atividades que trabalhem o equilíbrio. Isso diminui o risco de quedas e, consequentemente, de fraturas."

Nem sempre, porém, pessoas com problemas nas articulações conseguem atingir essa meta logo de início. "Muitas vezes começamos apenas com a musculação e, depois que a dor diminui, entramos com a caminhada e exercícios de alongamento", conta o professor de educação física Emmanuel Gomes Ciolac.

O segredo da atividade física em pacientes com problemas de saúde é saber o que fazer, como fazer, com qual carga e intensidade, diz Julia Greve. "É uma prescrição individualizada. Como a de um medicamento."

SAIBA MAIS

Osteoporose

Exercícios de musculação e de impacto, como corrida, estimulam a formação de massa óssea e impedem a progressão da doença. A dor também diminui porque a atividade física estimula a produção da substância osteoprotegerina, que protege os ossos.

Corrida

Embora benéfica para a massa óssea, é contraindicada para pessoas com osteoartrose de joelhos. A pressão nas articulações causada pelo peso corporal aumenta cerca de cinco vezes durante a corrida.

Musculação

O fortalecimento da musculatura diminui a sobrecarga e estabiliza as articulações, diminuindo a dor e facilitando os movimentos. Os exercícios também estimulam a produção do líquido sinovial, essencial para o bom funcionamento do sistema locomotor.

Equilíbrio

A prática regular de exercícios também melhora o equilíbrio e a coordenação motora, diminuindo o risco de quedas e de fraturas.


Fonte: SIS Saúde

Internação por cirrose alcoólica cresce 50% no estado de São Paulo

Os dados são do Serviço de Hepatologia do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo

As internações por cirrose hepática causada pela ingestão de bebidas alcoólicas aumentaram quase 50% nos últimos cinco anos nos hospitais do estado de São Paulo. Em 2007, foram internadas cerca de 2,1 mil pessoas com o problema e a estimativa para este ano é de mais de 3 mil pacientes. Os dados são do Serviço de Hepatologia do Hospital de Transplantes do Estado de São Paulo.

De acordo com o coordenador do serviço, o médico Carlos Baía, o levantamento indica que as pessoas passaram a ingerir mais bebidas alcoólicas. – A quantidade de álcool para provocar uma cirrose varia caso a caso. Geralmente são quantidades que as pessoas podem achar pequenas, como quatro ou cinco doses de bebidas destiladas por dia, se for consumido diariamente por dez anos -.

O álcool inflama e destrói gradualmente as células do fígado que, ao longo do tempo, passa a ficar tomado por pequenas cicatrizes, e tem seu funcionamento prejudicado. Estima-se que em torno de 15% dos alcoólatras cheguem a esta etapa em um período entre 10 e 15 anos de dependência.

- Uma das características do álcool é induzir tolerância e a pessoa precisa de uma quantidade cada vez maior para sentir o mesmo efeito de relaxamento inicial -, destaca o médico.

As complicações decorrentes da doença podem ocorrer lentamente e desencadear o acúmulo de água na barriga, inchaço nas pernas, confusão mental, e até o desenvolvimento de câncer no fígado e hemorragias digestivas.

Baía ressalta que o transplante de fígado só é indicado em casos muito graves, quando o paciente já está com as funções vitais do órgão totalmente comprometidas. Segundo o Hospital de Transplantes, os dependentes de álcool correspondem a cerca de 15% das pessoas que estão na lista de espera.

- A porcentagem é baixa porque existem mecanismos para restringir a entrada dessas pessoas na lista. Não se faz transplante em uma pessoa que tem alto risco de voltar a beber -, diz o médico. Para poder entrar na lista de espera do transplante, a pessoa tem de estar a pelo menos seis meses sem consumir bebida alcoólica.

Hepatites virais, principalmente a do tipo C, também desencadeiam a cirrose hepática. O médico orienta as pessoas a realizar o teste laboratorial com exame de sangue. – Prevenção é sempre a melhor escolha. A hepatite C, por exemplo, é uma doença silenciosa e o combate fica mais fácil se o diagnóstico for precoce -, explica o hepatologista.


Fonte: SIS Saúde

Bisfenol

Sociedade de Endocrinologia defende ampliar proibição de bisfenol para brinquedos

A decisão de proibir a produção e a venda de mamadeiras com bisfenol A na composição foi bem recebida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, que lidera uma campanha contra o uso da substância. Anunciada na última quinta-feira (15), a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi tomada para proteger a saúde das crianças, apesar de não haver resultados conclusivos sobre o bisfenol.

Para a subcoordenadora da campanha da Sociedade de Endocrinologia, Elaine Cota, o bisfenol deve ser banido de brinquedos e embalagens plásticas usadas para guardar alimentos. “Deveria ser proibido em todas as embalagens que acondicionam alimentos e nos brinquedos plásticos. As crianças não vão só usar a mamadeira, mas também o copinho plástico”, disse Elaine, que integra o grupo dos desreguladores endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional de São Paulo. “Quando a criança morde um brinquedo, a substância pode se desprender”, acrescentou.

O bisfenol A é utilizado na fabricação da maioria dos produtos plásticos, como potes, escovas de dente, copos, cadeiras e no revestimento interno de latas. Quando o plástico é aquecido ou congelado, moléculas do bisfenol A acabam por ser desprender e contaminar os alimentos e produtos embalados. Os especialistas estimam que uma pessoa ingere cerca de 10 microgramas de BPA por dia.

A exposição à substância, de acordo com os especialistas, altera o funcionamento das células e hormônios, podendo provocar deficiências físicas e até mesmo câncer. Estudos em animais apontam o bisfenol A como causador de doenças. “Os efeitos podem ser vistos muitos anos depois ou em outras gerações. Uma criança exposta pode ter infertilidade na vida adulta”, argumentou a médica, acrescentando que não existem estudos em seres humanos.

Elaine Cota recomenda que a população, principalmente as grávidas, evite o uso de embalagens plásticas para guardar bebidas e comidas. “Elas devem procurar não esquentar a comida em embalagens plásticas no micro-ondas”, aconselhou.

Apesar de não existir pesquisas conclusivas sobre os riscos do bisfenol, a Anvisa decidiu proibir o uso em mamadeiras como forma de cautela e proteção aos bebês com até 1 ano de idade, além de seguir medidas adotadas por outros países, como a Europa e o Canadá. A agência reguladora informa que “não há justificativa para adoção de outras restrições de uso para a substância” no momento. No entanto, a Anvisa aponta como substituto do bisfenol o polipropileno, já que a substância está presente no policarbonato. Ambos são tipos de material plástico.

A partir da publicação oficial da medida, os fabricantes terão três meses para retirar as mamadeiras com bisfenol do mercado. As produzidas nesse período deverão ser vendidas até 31 de dezembro de 2011.

Como evitar a exposição ao BPA

- Não esquentar no micro-ondas embalagens de plástico com bebidas ou alimentos, pois o bisfenol é liberado em maior quantidade quando o plástico é aquecido
- Evitar o consumo de alimentos e bebidas enlatadas. A substância é usada como resina para revestimento interno das latas
- Preferir embalagens de vidro, porcelana e aço inoxidável para armazenar alimentos e bebidas
- Descartar utensílios plásticos lascados ou arranhados
- Evitar a utilização de embalagens plásticas com os símbolos de reciclagem 3 (V) e 7 (PC) porque podem ter bisfenol A na composição

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia


Fonte: SIS Saúde

Crianças podem viver bem sem a televisão

Um novo estudo desenvolvido nos Estados Unidos mostra que cerca de 2% dos americanos não têm uma TV em casa

Para muitos de nós, a televisão é uma parte tão fundamental do nosso cotidiano que é difícil imaginar como seria a vida sem ela. Porém, existe uma pequena parcela da população que escolheu viver sem a televisão e que não sente falta do aparelho.

Um novo estudo desenvolvido nos Estados Unidos mostra que cerca de 2% dos americanos não têm uma TV em casa. Dessas pessoas, dois terços variam entre liberais e extremistas religiosos conservadores, mas pessoas de ambos os grupos apresentaram argumentos muito semelhantes para abandonarem essa prática. De acordo com a pesquisa, os motivos dessa escolha caem em três categorias. Algumas pessoas têm objeções quando a exibição excessiva de violência, consumismo e sexo nas televisões. Outras sentem que o meio em si é muito intrusivo, interferindo em conversas e ocupando um tempo que poderia ser gasto em família. Existem ainda as que discordam dos valores da indústria televisiva e preferem evitar que ela exerça influência em suas casas.

Uma grande preocupação é que a televisão possa influenciar as crianças de forma negativa, tornando-as mais violentas. Apesar de o medo de que a falta da TV fizesse com que os filhos ficassem mais agitados, pais conseguiram lidar com a ausência desse passatempo. Surpreendentemente, sem a televisão as crianças ficaram mais tranquilas e aprenderam a se entreter sozinhas.

“É contra-intuitivo, porque as pessoas pensam que seus filhos iam deixá-las loucas sem a TV. Mas os pais descobriram que as crianças ficaram muito boas em entreterem a si mesmas e pareciam não precisar estar entretidas o tempo todo por algo que era vivaz e ativo. Elas não reclamavam de estar entediadas”, conta Marina Krcmar, pesquisadora do tema.

Nos lares que participaram da pesquisa, as crianças estavam de acordo com a decisão dos pais. Questionários mostraram que por volta dos 12 anos elas se sentiam ressentidas por não poderem participar de conversas sobre a televisão, mas ao chegarem nos 14, 15 anos, elas voltavam a preferir ficar sem o aparelho.

Mas não é necessário banir a televisão para conseguir alguns dos benefícios obtidos por famílias que vivem sem o costume de acompanhar a programação dos aparelhos. “Eu acho que você pode conseguir os benefícios apenas por fazer as crianças assistirem menos televisão. Seja seletivo quanto ao conteúdo. Você não vai a um restaurante e deixa eles comerem qualquer coisa no menu. Ao contrário, você diz ‘escolha alguma coisa que seja saudável e que você gostaria’”, conclui Krcmar.


Fonte: SIS SAÚDE